sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

DEMOCRACIA DIGITAL (VI)

Os novos eleitores estão para os partidos políticos como os novos clientes estão para as empresas: são muito apetecíveis e, além disso, determinantes para fixar a moda. Isto, em ano eleitoral, tem particular acuidade.

Os “digital natives” ou geração do milénio são todos os que, actualmente, têm entre 18 e 22 anos. Isto é, votarão este ano pela primeira vez. Inaugurarão o respectivo poder-dever de cidadania. Importa, pois, estar atento. É que esta franja etária representa, em Portugal, 6,8% do total de eleitores. Mais do que suficiente para ganhar ou perder, ter ou não maioria absoluta, ser ou não eleito Presidente de Câmara, Deputado ou Eurodeputado.

No espaço europeu os “digital natives” ou novos eleitores variam entre os 5,9% da Itália, os 7,6% da Holanda, os 8,1% do Reino Unido e os 9,4% da Polónia. Números nada desprezíveis.

Estes dados são tão mais interessantes de analisar quanto é sabido que na faixa dos 16 aos 24 anos (reporte a 2006) 96% acede pelo menos uma vez por semana à internet, o que significa uma mudança radical de paradigma.

A Web passou a representar um novo espaço dedicado a inéditos modelos de trabalho, de diversão, de informação, de percepção do Mundo. Tudo é, hoje, para os “digital natives” colaborativo e global. Este novo rumo levanta, assim, novos desafios para os actores políticos e, em particular, para os partidos.

As velhas sessões de esclarecimento, os clássicos jantares de lombo assado ou mesmo os fastidiosos congressos fazem inelutavelmente parte da história. Agora, a militância faz-se na net. Aí se apresentam as novas ideias, se discutem moções, se angariam apoiantes e se ganha a confiança. Ou, ao invés, se pode perder tudo isso!

Os “Digital Natives” organizam, à distância de um clic, uma conversação entre dezenas ou centenas de participantes, partilham informação entre redes de milhares de amigos, colaboram globalmente e, por via de um motor de pesquisa, podem aceder a mais informação em 3 segundos que milhões de pessoas em dezenas de anos. Isto é poder!

Obviamente, os “Digital Natives” assumem preponderância eleitoral quanto mais jovem for a sociedade em que se inserem, mas em países envelhecidos como Portugal podem ser o pequeno grupo que fará a grande diferença.

PUBLICADO NO JORNAL OJE

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