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Em Madrid, um português confirma-se como o melhor treinador do Mundo no mesmo espaço onde evolui o melhor jogador do Mundo, por sinal, também português.
Ao mesmo tempo, em Lisboa, a bolsa de valores afunda-se, os sindicatos ameaçam greves gerais e sucedem-se as ameaças de intervenção externa na condução do nosso destino.
Em simultâneo, na Covilhã, os escolhidos por Queiróz cavam o fosso que os separa dos adeptos. As exibições não inspiram e a empatia não abunda. A esperança é apenas o nome de um cabo...
Paradoxos evidentes que vale a pena analisar.
Por que motivo o mesmo país que dá ao Mundo o melhor jogador e o melhor treinador aparece tantas vezes como o pior? Por que razão os exemplos de portugueses que se afirmam no Mundo como líderes cresce e dentro de portas a liderança é palavra madrasta? Por que diabo a competência e as qualificações dos portugueses são enaltecidas pelo Mundo fora e em Portugal não sao factores distintivos? Estas são as questões de fundo que os exemplos acima ajudam a iluminar. Para mal dos nossos pecados...
Atentemos, pois, nos motivos que levam José Mourinho a querer ir para o Real Madrid: porque vai ganhar muito dinheiro? Não. Porque gostaria de viver em Madrid? Não. Porque em Madrid a tarefa seria mais fácil? Não. Mourinho quer ir para o Real pelas razões inversas que tipicamente presidem às opções em Portugal.
Mourinho recusa o facilitismo e a previsibilidade. Mourinho é ambicioso, por isso gosta dos desafios mais difíceis. Quer ser o único a ganhar todas as provas nos três campeonatos mais importantes da europa (e do Mundo). Mourinho tem uma missão. Não tenho dúvida das competências e da obstinação de Mourinho para atingir o desiderato máximo.
Ora, a Portugal falta um desígnio. Uma missão. Falta um denominador comum, por isso todas as estratégias acabam por ser errantes e os resultados estão à vista há muitos anos...
Moral da história: Mourinho nunca gostou do nacional porreirismo e nunca escolheu jogar com bons rapazes. Não! Mourinho sempre jogou com os melhores, só com os melhores (mesmo quando incomodovam...), por isso venceu. Portugal está no momento-chave para optar: para ganharmos temos de buscar e promover os melhores. Este já não é o tempo dos bons rapazes...