quinta-feira, 2 de agosto de 2012

META LONGÍNQUA


Parece que foi há muito tempo. E foi mesmo! Resta-nos a memória dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, Seul e Atlanta. Foi lá que obtivémos os melhores resultados da história olímpica portuguesa: Carlos Lopes, medalha de ouro em 1984. Rosa Mota, medalha de ouro em 1988. Fernanda Ribeiro, medalha de ouro em 1996.

Até hoje, e desde a primeira participação em 1912 (Estocolmo), os atletas portugueses conquistaram um total de 22 medalhas. Número muito pouco expressivo se, sobretudo, comparado com outros países da nossa dimensão: Polónia (261), Países Baixos (246), Grécia (108), Finlândia (299), Dinamarca (170) e Suécia (475), por exemplo. Mas, quando comparados com as potências desportivas mundiais, os resultados são risíveis – para não dizer mais: EUA (2297), Grã Bretanha (715), França (636) e a extinta União Soviética (1010).

Este ano, em Londres, e apesar de ainda não terem terminado, os Jogos Olímpicos indiciam, uma vez mais, resultados pouco auspiciosos para os portugueses. A novela da atleta desaparecida, porque supostamente grávida, é apenas mais um exemplo da forma pouco profissional como este certame é encarado em Portugal.

Os vencedores, sejam eles quais forem mas sobretudo os olímpicos, constróiem-se com planos de longo prazo e com fortes políticas públicas desportivas. E, se não sabemos fazer, copiemos (não é pecado!) os programas dos países campeões mundiais de medalhas.

E em Portugal o que se passa? Os dirigentes nas Federações e no Comité Olímpico perpetuam-se independentemente dos maus resultados obtidos, morrendo sempre solteira a (ir)responsabilidade. Os governos sucedem-se na perspetiva facilitista de meros distribuidores de subsídios ao invés de estrategas globais e definidores dos indicadores públicos de sucesso desportivo.

Em Portugal, não há cultura desportiva, porque na escola primária o desporto não é estimulado; porque as famílias preferem ter os filhos dentro de casa a ver televisão ou jogar computador; porque há décadas acabou o desporto escolar e o desporto universitário é uma ficção.

Enfim, passam-se os anos e fica tudo na mesma. A cada quatro anos armamo-nos em adeptos de sofá - de pantufas e cervejinha na mão - na esperança que o fado nos traga aquela medalhita que garantirá uns diretos televisivos no aeroporto da Portela e o orgulho pátrio desta “nação valente e imortal”.


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