terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O FUTURO É HOJE!!


Lisboa acolheu a XIX Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do espaço Ibero-Americano. Falou-se muito de Honduras, da ausência de Chavez e de outras pequenas coisas mais. Portugal, no seu todo, e que teve uma capacidade organizativa notável, acaba por retirar pouco deste momento.


Senão vejamos: o DN trazia, ontem, um especial sobre a Cimeira do qual retirei os seguintes números: a Espanha investiu, em 2008, no conjunto dos países ibero-americanos, o valor global de 1300 milhões de dólares. Portugal, por seu turno, apenas 2,5 milhões. Impressionante diferença! A Espanha, depois dos EUA, é o maior investidor externo no conjunto daqueles países; Portugal não tem expressão…


Estes dados devem dar que pensar. Sobretudo num momento de crise nacional e europeia, em que os indicadores demonstram que a América Latina crescerá no próximo ano em média 6%, talvez valesse a pena pensarmos em mudar de vida. Mudar de estratégia.

Portugal tem objectivamente a necessidade de crescer por via da internacionalização das empresas. Tal só é possível exportando mais. Ora, há poucos países com um potencial natural para absorverem o que criamos: os africanos de língua portuguesa e os da América Latina, com o Brasil inelutavelmente à cabeça, devem ser os prioritários.

Já não basta falarmos na comunhão de valores históricos, de patrimónios artísticos e de identidades. Já chega de citações de Fernando Pessoa e de Camões a propósito da importância da língua enquanto factor de unidade. Chega de prosápia e de discursos cheios de metáforas.

Tudo isso é verdade, mas este é o momento em que Portugal deve, definitivamente, observar a América Latina como o continente do futuro, como o parceiro natural e desejável. Para tanto, há que mudar a nossa filosofia diplomática: do rissol e do canapé para a “agressividade” comercial, para a criatividade na construção de parcerias, para, em suma, o pragmatismo diplomático que a circunstância obriga. É que o futuro é hoje!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

DEMOCRACIA DIGITAL XXXV


Cortar o acesso à internet a quem dela faça um uso abusivo, entenda-se pirataria ou outra actividade que prejudique interesses de terceiros. Esta é actualmente a grande questão que inunda blogues e outros fóruns dentro e fora da net.


Alguns países, designadamente a França e a Espanha, já se adiantaram internamente com iniciativas legislativas que geraram polémica e discussões infindáveis nas respectivas geografias. Tal a relevância do tema que os demais países europeus não ficaram imunes. Aliás, o Parlamento Europeu aprovou esta semana um pacote legislativo (sobre Telcos), do qual resulta a possibilidade dos Estados membros fecharem o acesso a qualquer cidadão que “pise o risco” por três vezes.

O Parlamento Europeu esclareceu que tal só pode suceder após prévio “processo equitativo” de defesa perante uma autoridade nacional. Adiantou ainda que “será impossível cortar automaticamente o acesso a uma pessoa sem lhe dar primeiro a possibilidade de apresentar a sua posição”. Ora, pelo menos sabemos que algumas garantias de defesa existem, porém não se faz ideia de que tipo de autoridade nacional falamos nem tão pouco se de uma autoridade judicial se deveria tratar.

Uma coisa é certa: a internet é hoje uma realidade incontornável das nossas vidas e, por isso mesmo, reflecte as virtudes e os defeitos dos seus utilizadores/criadores. Nela são geradas das mais belas obras intelectuais e produzidos os maiores atentados à propriedade intelectual. Na net navegam os cidadãos mais ilustres e os bandidos mais reputados. Nela se constroem modelos que geram milhões e outros que assentam na gratuitidade mais absoluta. Em suma, a internet é um mundo belo de contradições. Como o real.

Este é um debate que merece a pena ser tido com serenidade e sem preconceitos. Para quando em Portugal?..


Publicado no JORNAL OJE

A LEI DA ROLHA


Que Coimbra tinha parado no tempo já nós desconfiávamos. Que Encarnação preferia o atavismo à modernidade é uma evidência, mas que a Lei da Rolha (que data de Agosto de 1850) viria a ser recuperada é que nunca esperámos.

Pois bem, foi com estupefacção que soubemos que a maioria do PSD-PP tinha imposto o silêncio forçado nas reuniões da Câmara Municipal.

Há mais de vinte anos que os jornalistas assistiam e noticiavam o que se passava nas reuniões do executivo do Município de Coimbra. A presença dos profissionais da comunicação social permitia aos munícipes ir tomando contacto com a actividade dos que elegeram. Para o bem e para o mal…

Na falta de mecanismos de informação sobre a actividade municipal (antes não havia internet, agora mesmo havendo a transparência ainda não é absoluta) a notícia ou os meros relatos do que se passava na Praça 8 de Maio foi, durante muito tempo, o único elo de ligação e de escrutínio popular dos eleitos. Agora, acabou-se. Significa menos abertura e mais opacidade, o oposto do que é desejável e imperativo. Coimbra é assim, nos últimos anos pauta-se pelos maus exemplos.

Compreendo que para o Presidente e para alguns vereadores a ausência de quem dá notícia do que se lá passa até poderia ser vantajoso…ai se era! Mas chegar a tanto?!...

Esta decisão de Encarnação envergonha a democracia, nega o passado histórico de Coimbra no combate contra a censura e contra o silêncio forçado. A cidade não pode continuar adormecida a permitir que tudo lhe seja feito. A cidade não são os eleitos, mas os que elegem e estes devem acordar da letargia profunda em que vivem há anos.

Para a história ficará o triste espectáculo de uma maioria que aprova um regulamento que nos apouca e (lamentavelmente) de alguns vereadores socialistas cuja abstenção irresponsável não dignifica…nem se desculpa por distracção.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

DEMOCRACIA DIGITAL XXXIV


A Academia Internacional das Ciências Digitais, sedeada em Nova York, anunciou esta semana os 10 momentos mais relevantes da internet na última década. Vale a pena atentarmos.

Por ordem decrescente de importância a Academia elegeu:

O “Craigslist”, um site de anúncios de classificados gratuitos; o Google AdWords, uma ferramenta que adapta anúncios e pesquisas em motor de busca; a Wikipedia, uma enciclopédia on line editável por cada utilizador; o Napster, um meio de partilha de arquivos P2P; a entrada em Bolsa da Google; o vídeo on-line (de que o You Tube é o expoente máximo) que converteu os utilizadores em criadores de conteúdos audiovisuais; o lançamento do iPhone, enquanto novo conceito de telefones inteligentes; a campanha eleitoral de Obama como momento onde se compreendeu o impacto da democracia digital; os protestos nas eleições do Irão usando as novas tecnologias e as redes sociais como ferramentas de reacção cívica e, ainda, o Facebook e o Twitter, transformadores das redes sociais.

Poderemos concordar ou discordar da selecção feita, porém um facto é inegável: qualquer um destes momentos teve real e efectivo impacto na vida de muitos milhões de cidadãos. O mesmo será dizer que a internet, tal como a Wharton Schooll da Universidade da Pensilvânia já havia confirmado cientificamente, é uma das invenções mais impactantes das últimas décadas.

Os modelos sociais, seja de relacionamento entre pessoas seja entre entidades, mudaram radicalmente nos últimos anos em virtude de alguns dos momentos agora identificados pela Academia; a organização das empresas e dos mercados está em mutação por força de um novo paradigma alicerçado na economia virtual que a internet corporiza; as organizações políticas e os governos precisaram de reinventar o modo de relacionamento com os cidadãos por conta da força cívica emergente da net, entre outros exemplos.

Curioso, agora, será antecipar os momentos da próxima década!..
Publicado no JORNAL OJE

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

DEMOCRACIA DIGITAL XXXIII

Voltemos ao tema da relação entre a produtividade e o acesso à internet – em particular às redes sociais – no ambiente de trabalho. Este assunto tem sido objecto dos mais diversos estudos e das opiniões mais controversas. Há para todos os gostos.

Na verdade, já aqui defendemos que existe um nexo causal entre mais produtividade e liberdade de navegação na net, designadamente participando de forma activa em fóruns sociais. Aliás, pôr termo a esta tendência natural seria amputar uma característica intrínseca às novas gerações digitais.

Pois bem, a australiana Universidade de Melbourne veio, também, confirmar esta posição, num estudo que desenvolveu o conceito de “workplace internet leisure browsing” (WILB). Daqui resultou que se investirmos 20% do nosso tempo no trabalho em navegação na internet – com propósitos alheios ao ambiente profissional – aumentaremos a nossa produtividade em, pelo menos, 9%. Assim sendo, aquilo que seria aparência de perda de tempo é, afinal de contas, um ganho.

Garantidamente qualquer especialista em RRHH ou psicologia das organizações poderá comprovar que o relaxamento por breves instantes e a possibilidade de desfocarmos da tarefa profissional habitual, permite uma recuperação posterior da atenção e da energia que traz consigo ganhos de produtividade indubitáveis. Pois esta é a conclusão do dito estudo sobre o ” WILB”.

Este sinal deve ser absorvido pelos responsáveis das empresas portuguesas onde começa a sentir-se uma tentação para investir no controlo da actividade cibernética dos colaboradores ou, mesmo, no vedar do acesso às redes sociais, que não são apenas (e sobretudo) uma das janelas voltados para o mundo que nos rodeia e onde convém buscarmos inspiração para melhorarmos a performance laboral quotidiana. A cave está no bom senso, de parte a parte, e não na repressão ou no controlo sectário.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

PROBLEMAS DE VISÃO


Declaração de interesses – nasci em Coimbra e, por isso mesmo, aprendi a respeitar e a admirar a secular Universidade, que anos mais tarde passou a ser minha também por direito próprio. Chego, muitas vezes, a ser “coimbrinha” (eufemismo de quase-provinciano) na sua defesa.

Posto isto, quando em Lisboa, onde há anos vou passando parte do meu tempo, dizem que Coimbra e a respectiva Universidade cheiram a mofo, logo lhes atiro com algumas empresas que são sinónimo da melhor inovação portuguesa. E, falo-lhes da balança tecnológica para a qual uma parte da inovação “made in Lusa-Atenas” contribui.

Quando, ainda assim, me referem os exemplos de Aveiro e Braga como cidades que são modelos de relação entre a Universidade e a Comunidade, sou obrigado a recordar-lhes, por um lado, que se comparam realidades distintas (séculos não são décadas) e para que um binómio cresça importa que ambas as partes fluam no mesmo sentido, ora, em Coimbra, há muito que o essencial do problema não está no Paço das Escolas, mas na Praça 8 de Maio.

Quando, mesmo assim – ele há tipos que não desistem fácil! - me provocam dizendo que os bons MBAs são em Lisboa e no Porto, recordo-lhes o que pelo quarto ano consecutivo, a Universidade de Coimbra é a instituição de Ensino Superior portuguesa mais bem cotada no ranking do jornal The Times, sendo a única entre as melhores 400 do Mundo.

Quando o interlocutor é mais “fraquinho”…tento o golpe de misericórdia (forçado é certo), invocando o facto de em 2009 a UC ter subido de 387º para 366.º lugar, a nível mundial, e de 169º para o 166º, a nível europeu. A parte “coimbrinha” veio ao de cima…

E poderia continuar a relatar discussões intermináveis que, apesar de não ter mandato do Magnífico Reitor, fui (e vou) tendo ao longo do tempo. Mas quando termina o “ping-pong” argumentativo, reconheço (no silêncio da introspecção) que em Coimbra é difícil querer ser mais ambicioso e ter mais sucesso. Uma espécie de síndrome…

Mas a declaração de interesses inicial dá-me legitimidade para distinguir a admiração da cegueira e o respeito da subserviência.

Talvez, por isso, para debates futuros, fosse importante que a cidade e o país conhecessem melhor o legado científico e a investigação que está em curso, os níveis de empregabilidade dos licenciados, a reconhecida qualidade pedagógica dos cursos e o nível de internacionalização, por exemplo. Talvez estes indicadores resolvessem os problemas de visão de alguns…

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

DEMOCRACIA DIGITAL XXXII


Em tempo de crise, as empresas, assim como as pessoas em geral, procuram soluções que reduzam ao máximo os custos. As novas tecnologias oferecem um sortido de diferentes opções adequadas a esse fim. Esta é apenas uma perspectiva: a economicista. Existe, também, a outra: a estratégica, ou seja, de que modo as TIC alargam mercados e abrem oportunidades de negócio.

Em ambiente de trabalho internacional é comum que as reuniões decorram com os participantes em diferentes geografias, cada um sentado na respectiva secretária, economizando o tempo das deslocações, os gastos em viagens e hotéis, contribuindo ainda para a “pegada ecológica”.
O “Messenger”, o “Skype” e o “Communicator” são algumas das ferramentas mais em voga, não apenas para as comunicações internas, mas sobretudo nos contactos com elementos externos às empresas e, até, em entrevistas de trabalho. À transmissão de voz associa-se a imagem por via de uma simples webcam. Imagine-se o potencial: menos tempo dispendido, mais interlocutores no “loop”, maior flexibilidade no planeamento das tarefas, em suma, economias de custos.
Significa isto que os modelos clássicos de organização do trabalho estão em mutação. Os espaços físicos das empresas estão a mudar, as distâncias geográficas podem não representar custos acrescidos, o recrutamento global de talentos é uma oportunidade e a conquista de novos mercados uma atracção natural.
Agora, imagine-se esta realidade aplicada aos governos e aos municípios. Quanto se não poderá poupar ao erário público em tempo, ajudas de custo, quebras de produtividade, etc? Em Portugal, é chegado o momento de dar um novo impulso ao plano tecnológico (eixo político virtuoso) e uma das formas é apostar nos sistemas de informação como mecanismos de modernização do estado que permitam também uma redução de custos.

Publicado no Jornal OJE

terça-feira, 27 de outubro de 2009

GOVERNO NOVO, VIDA NOVA!

Os comunistas costumam dizer a propósito de remodelações que as mesmas são irrelevantes, pois em grande medida o que interessa são as políticas e não as pessoas ou os protagonistas. Ora, seguirei à risca este comentário, que se transformou num jargão, para qualificar o actual governo, que acaba de tomar posse.

Falarei, então, das políticas e não das pessoas.

O maior desafio de Sócrates & Companhia é, obviamente, gerar emprego, que permita, por um lado, diminuir drasticamente os números do desemprego e, mais, criar uma massa de trabalhadores crescentemente qualificados. Só assim a economia nacional poderá desenvolver-se e o país ser mais competitivo.

A questão essencial é perceber em que sectores de actividade se poderão gerar oportunidades de emprego. Isto, no fundo, implica que se compreenda qual o rumo que se pretende para o país, quais as áreas estratégicas: turismo, energia, saúde, cultura,…? Quais? Todas ou apenas algumas?..

Posto isto, a segunda prioridade é criar definitivamente mecanismos para a internacionalização das nossas empresas. Para o efeito o governo deve internamente colocar esta prioridade na agenda não apenas do Ministério da Economia, mas sobretudo dos Negócios Estrangeiros. Uma diplomacia económica a sério, feita por diplomatas mas também por quem não abusa dos “punhos de renda”e sabe como colocar no radar internacional os nossos produtos e serviços.

Neste domínio está tudo por fazer, não obstante o esforço efectivo (sobretudo voluntarista e pessoal) do Primeiro-Ministro na anterior legislatura, mas que depois não era acompanhado…
Este desiderato implica, forçosamente, a revisão de sistemas de incentivos públicos e de fiscalidade, sobretudo em áreas onde manifestamente já somos competitivos e inovadores ou teremos de passar a ser. Tratar tudo por igual é meio caminho andado para perdermos foco, tempo e oportunidades.

Finalmente, creio, que a questão do “aging” (envelhecimento da população) e, reciprocamente, da baixa natalidade deveriam ser claras apostas políticas.

Senão vejamos: há muitos milhares de portugueses reformados, que poderiam dar o seu contributo cívico e social, desde que criados programas públicos para o efeito. Gente que vai envelhecendo por ociosidade… e que estaria disponível para ajudar o país e os outros. Criar, em suma, riqueza social!

Importa, por outro lado, sublinhar que existem, neste domínio, inúmeras oportunidades de negócio, essencialmente, se levarmos em linha de conta os potenciais consumidores que representam milhões de reformados do norte da Europa que sonham com o nosso sol e praia!..

Quanto à baixa de natalidade, apesar dos esforços feitos com a nova prestação de apoio à gravidez e com o aumento do abono de família, a verdade é que as famílias elegíveis deveriam ser muitas mais. A classe média em Portugal é uma banda muito larga e, infelizmente, por vezes são considerados ricos sem o serem.

Assim, deveria haver um forte impulso e apoio financeiro para o 3º filho, que, tal como na Austrália, garante a manutenção/reprodução ou reposição da população e, obviamente, um sistema de incentivos fortes às empresas para a criação de creches e actividades extra-curriculares, que complemente o sistema público, sobretudo dirigido às camadas mais desprotegidas.

domingo, 25 de outubro de 2009

DEMOCRACIA DIGITAL XXXI


Começou um novo ciclo político no país, eis porque é oportuno falar em novos desafios para a estratégia nacional de digitalização.


Depois do “e-escola”, do “Novas Oportunidades” e do “e-escolinha” (Magalhães) resta-nos a população portuguesa mais envelhecida, cujos níveis de info-exclusão são ainda evidentes.


Ora, pois, uma oportunidade política! Desde logo, para reforço da credibilidade do governo estendendo à população mais envelhecida instrumentos de inclusão por via da formação e da literacia digital. Tal significaria consistência estratégica visto que dá a noção de plano integrado de acção governativa e não um conjunto de iniciativas dispersas no tempo e no espaço com uma lógica mais táctica e/ou até eleitoralista.


A população mais envelhecida, designadamente os reformados, poderiam contribuir mais activamente em vários domínios através da respectiva inclusão digital e seria uma oportunidade única de os relacionar com o modelo formativo criado para o “e-escolinhas” e “e-escolas” numa aposta transgeracional.

O “saber fazer” dos mais velhos aliar-se-ia à vocação digital dos mais novos numa experiência “win-win” singular, com ganhos evidentes para o país do ponto de vista social, cultural e até económico.

O fechar do ciclo com um programa tipo “e-senior” permitira dar rosto ao processo de aprendizagem ao longo da vida, hoje comprovado como decisivo nas sociedades mais envelhecidas como a europeia.

Envolver neste desiderato “Big Bet” multi-ministério vários parceiros privados e públicos é a chave do sucesso, donde se aproveitaria a rede já existente de Universidades Séniores, do INATEL, de Fundações e de IPSS para fazer de Portugal o 1º país do Mundo a adoptar esta solução de info-inclusão global.


Publicado no Jornal OJE

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

POR QUE CAEM COMO TORDOS NA FRANCE TELECOM?...

Em 1935, já com Salazar no poder, é criada a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), designação típica de regimes fascistas. De igual modo, aliás, o lema nazi colocado à entrada dos malfadados campos de concentração era “Arbeit macht frei”, ou seja, “o trabalho liberta”. Em síntese, a ideia de que o trabalho dá saúde e faz crescer já vem detrás…

Todavia, os tempos modernos trazem situações estranhas e absurdas para os modelos actuais. Veja-se o exemplo da France Telecom, onde se verificaram 20 suicídios nos últimos 18 meses! Tomam comprimidos, enforcam-se, saltam das janelas,… servem todos os meios para por fim à vida. Enfim, o caso tornou-se um problema nacional levando mesmo à intervenção do governo.

Felizmente, a minha experiência pessoal é totalmente distinta. Trabalho numa das maiores empresas do Mundo e que, no caso português, é considerada há quatro anos consecutivos “A melhor empresa para trabalhar” por entidades externas e independentes. Um caso oposto, portanto, ao que descrevi acima.

Na verdade, a maioria das empresas ainda não procede actualmente a um exercício de introspecção para avaliar da respectiva “saúde” na visão dos colaboradores, conduzindo muitas vezes a: desconhecimento profundo do quotidiano laboral; adopção de práticas de gestão desfasadas do necessário; imposição de regulamentos internos draconianos que estão longe de ser eficazes, etc etc.

Nas empresas cujo “scorecard” de gestão prevê precisamente a avaliação interna e mecanismos de participação de todos na construção de um ambiente de trabalho saudável – de que a Microsoft é um excelente exemplo - rapidamente se percebe que a melhor empresa é aquela que nos realiza enquanto pessoas – que somos antes de colaboradores – e percepcionamos como uma extensão do nosso ambiente natural e familiar. Fazer dos colaboradores pessoas diferentes do que são na verdade só trará maus resultados.

Pois bem, o melhor modelo já existe, longe de ser o ideal que está sempre em construção, porquê insistir em práticas antigas?.. E isto serve para o sector privado e, em especial, para o público.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

DEMOCRACIA DIGITAL XXX


O Magalhães foi uma pedrada no charco no mundo educativo. É inquestionável a mais-valia e o potencial desta ferramenta tecnológica. Depois do ano de lançamento nas escolas portuguesas é tempo de aprofundar o conceito educativo que lhe está subjacente: modernizar o modelo de aprendizagem usando as novas tecnologias.

O Magalhães é apenas uma plataforma sobre a qual se podem integrar um sem-número de soluções, serviços e produtos tecnológicos, visando as mais modernas técnicas pedagógicas.
Imaginar que o telemóvel – até aqui proibido e associado à indisciplina na sala de aula – pode ser um instrumento de aprendizagem importante, assim como leitor de MP3 ou a própria consola, parece-me um ganho ao alcance de todos, basta para tanto definir uma nova estratégia educativa.

São muitos os estudos que confirmam o desinteresse dos estudantes pelas matérias escolares e pelo período que passam na escola, todavia os mesmos inquiridos são muitas vezes geniais no modo como usam os adereços típicos do seu tempo, obtendo por essa via algum conhecimento e saber. Ora, importa pois perceber que a escola da modernidade – a Escola do Magalhães – deve construir-se com o maior número de ferramentas tecnológicas e com um novo modelo de aprendizagem que vá ao encontro do estilo de vida das gerações digitais. De outro modo, o fosso será crescente e os professores (por muito qualificados que sejam) jamais conseguirão combater a atracção do smartphones, das consolas ou dos leitores de MP3.

Retive um exemplo que li: no Japão, alunos de uma escola secundária criaram uma novela através de SMS. Ou seja, fruto do esforço criativo e colaborativo de vários estudantes gerou-se uma obra. Os professores confirmaram que os mesmos alunos jamais produziriam tal resultado segundo o modelo clássico: lápis e papel numa aula de 60 min.

Dá que pensar!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

UMA QUESTÃO DE COERÊNCIA!

Numa empresa, quando os resultados financeiros não são satisfatórios há, regra geral, duas consequências: os gestores colocam os seus lugares à disposição ou os accionistas convidam novos timoneiros. Sem mais.

Numa equipa de futebol, quando as vitórias não surgem ao treinador resta pouco tempo de “vida” profissional. A muito breve trecho será afastado pela direcção ou, o próprio, abandona de mote próprio o respectivo lugar.

Nas companhias modernas, altamente competitivas e com sistemas internos de avaliação muito exigentes (mas naturalmente compensatórios), os colaboradores que não atingem patamares mínimos de compromisso são convidados a sair e a procurar vida nova noutro local.

Enfim, os exemplos podem suceder-se e são infindáveis nos mais diversos sectores de actividade, tendo sempre presente que a competitividade, a excelência e o brio são os objectivos máximos a atingir.

Até aqui alguma novidade? Algum espanto? Não, sinceramente, julgo serem os critérios adequados para uma convivência saudável, séria e justa. E só assim se conseguem atingir os melhores resultados!

Ora, a primeira pergunta é: por que motivo na política estes padrões de qualidade e de exigência se não conseguem impor? Ou seja, por que razão nas ressacas eleitorais todos, ridiculamente, invocam a vitória para assim justificar a respectiva existência e manutenção de “status quo”?..

É absurdo que quem não consegue durante ciclos sucessivos alcançar resultados positivos se mantenha a dirigir organizações, como se as derrotas fossem pormenores sem relevância e que outras alternativas não existissem.

Por estas e por outras a vida política e a participação partidária são cada vez menos apelativas, porquanto as regras parecem – sem razão aparente! – mudar relativamente ao que se passa nas empresas, nos bancos das universidades ou na vida em geral.

Mas, mais perverso ainda, é observar o que alguns conseguem fazer: transformar as vitórias dos outros nas suas e as suas derrotas nas responsabilidades de outros.

Por exemplo, arrogar-se como sendo sua a vitória de um candidato a uma câmara para a qual em nada se contribuiu (ou até quem sabe se destruiu…) é de uma desfaçatez tremenda. Tão grave quanto limpar-se a água do capote numa derrota de um candidato que foi exclusivamente imposto por si!

Mas, claro, tudo isto é uma questão de coerência!..

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

DEMOCRACIA DIGITAL XXIX


Hoje, discute-se, um pouco por todo o mundo da relação entre a produtividade – ou a falta dela – e o acesso às redes sociais ou à caixa de correio no espaço laboral.

Ora, em Portugal, é no mínimo bizarro o debate, pois a ausência de produtividade é um tema crónico e muito anterior à existência de redes sociais ou da internet. Todavia, importa distinguir claramente entre consultar o “mail” e actualizar o Facebook. Na maioria dos casos, sobretudo no sector das novas tecnologias, o primeiro é uma ferramenta indispensável de trabalho, podendo as redes sociais sê-lo também.
Apesar de existirem estudos para todos os gostos, a verdade é que há muitas empresas onde o acesso à internet e às redes sociais é livre – ou até mesmo estimulado profissionalmente, porque fomenta o network, promove a cultura da empresa ou mesmo os respectivos produtos/serviços – e os níveis de produtividade laboral são nestes casos muito elevados.
No meu entender, deve imperar o bom-senso e a auto-regulação individual. Aliás, políticas muito restritivas nas empresas, nas administrações públicas ou noutras instituições não garante que não existam fugas e danos.
O conceito de “democratização da intimidade”, introduzido pela antropóloga Stefana Broadbent, associado às redes sociais é interessante, todavia, na internet como fora dela, deve reger-se pelas mesmas regras: sensatez, cautela e proporcionalidade.
De igual modo, o smartphone, o computador e net são extensões naturais da actual geração de “digital natives”. Retirar-lhes esses elementos seria amputá-los na sua identidade. O resultado seria desastroso, mais importante é alertar para os riscos de um uso impudente ou excessivo. A pedagogia, aqui como em tudo, nunca é demais.

O VOTO NAS PESSOAS OU NOS PARTIDOS?..

Nas eleições autárquicas os representantes estão (supostamente) mais próximos do povo, logo tal facto facilitará a percepção pública da obra feita e, consequentemente, da avaliação a fazer. Regra geral, a abstenção é mais baixa e os movimentos de cidadãos independentes mobilizam vontades tantas vezes adormecidas. Em suma, a motivação para uma participação política mais activa e responsável é (teoricamente) maior.

Diria mesmo, que o grau de maturidade democrática de uma sociedade afere-se por diversos indicadores, sendo que a capacidade de distinguir o essencial do acessório é, a meu ver, um dos mais importantes. Por isso mesmo, queria acreditar (significa que ainda não acontece) que os cidadãos votam nos melhores candidatos independentemente da sua matriz partidária.

Achar que, hoje em dia, o sentido do voto é definido pela qualidade intrínseca dos candidatos mais do que pela coloração partidária é pura ingenuidade. Infelizmente!

Isto, dito assim, é sinónimo de que nem sempre ganham os melhores protagonistas, as melhores ideias e os projectos mais sólidos. É a democracia a funcionar, dir-se-á, pois é, mas não imune a críticas, pois vão-se perdendo activos importantes. Então nas eleições autárquicas, há gente que tantas vezes decide sair da sua zona de conforto para se expor e, depois, confrontados com escolhas pouco racionais acaba desiludida e não mais volta. Para estes o sistema raramente guarda lugar. Conheço uns tantos casos…

Ora, a verdade é que a “partidocracia” acaba por prevalecer, apesar dos avanços legislativos, e tantas vezes a cruzinha é mobilizada pelo símbolo partidário mais que pelo rosto e ideias dos protagonistas.

Há exemplos para todos os gostos: desde os caciques locais que, mesmo mudando de partido, acabam por vencer (dispenso-me enumerar as razões), vejam-se os exemplos de Isaltino e de Valentim até aos candidatos que mudando de partido acabam perdendo as eleições, pois a percepção negativa da mudança de camisola é mais forte que os atributos dos próprios. Não há pois um critério uniforme, nem acredito que seja possível estabelecer um modelo científico de análise.

Já aqui escrevi, num passado recente, que, por exemplo, Coimbra precisaria, neste momento particularmente crítico, de um choque de ânimo, de energia e de criatividade promovido por gente suprapartidária, com diversas proveniências ideológicas. Ora isso não sucedeu e, observando as sondagens existentes somos levados a concluir que tudo ficará na mesma. Será, pois, compreensível que perante tanta omissão, inacção e letargia o povo queira continuar a escolher os mesmos?.. Ora, a escolha é indubitavelmente legítima, mas não corresponde à necessidade deste tempo. Estamos ainda longe do ideal.

O sempre polémico Nietzche defendeu que «um político divide o ser humano em duas classes: instrumentos e inimigos». Fico, assim, com curiosidade sobre como definiria o filósofo a divisão feita pelo eleitor do político.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

DEMOCRACIA DIGITAL XVIII

Nos últimos meses têm sido muitas as surpresas nas redes sociais onde habitualmente me insiro: informação a rodos; a adesão inesperada de muita gente; o reencontro de amigos de longa data; a percepção da importância que os políticos dão à “coisa” e discussões vivas e espontâneas sobre os mais diversos temas.

Não é por isso, para mim, novidade o que um estudo recente da consultora Nielsen vem confirmar: o tempo que os norte-americanos dedicam às redes sociais e blogues triplicou no espaço de um ano, equivalendo, assim, já a 17% do tempo global de navegação na net. Impressionante este pulo exponencial!

Isto significa também que há uma nova massa de utilizadores – que não apenas os “early adopters” e “digital natives” – que é transversal aos diversos grupos sócio-económicos e etários, dando volume ao tráfego relativo às redes sociais e retirando-os dos meios tradicionais (designadamente a TV). Quantos de nós não ficámos já surpreendidos por ver “seniores” ou gente supostamente excluída da net a pedir-nos que aceitássemos a respectiva adesão à rede?..

Ainda de acordo com aquele estudo, em algumas áreas, o investimento em redes sociais e blogues é particularmente forte: entretenimento (812% de aumento face a 40% de crescimento do investimento total on-line); viagens (364% de aumento face a 11% de diminuição do investimento total na rede); serviços financeiros (98% de aumento face a 11% diminuição do total on- line)…

Não por acaso as empresas observam, crescentemente, as redes sociais como espaços comerciais por excelência, sendo que nem todas têm adoptado a melhor estratégia, que aqui significa desde logo a menos intrusiva possível. Mas, a prova de que há um novo mercado em afirmação é que, pela 1ª vez no Reino Unido, os investimentos publicitários na net foram superiores aos da TV.

Este é o caminho!

Publicado no Jornal OJE