Numa empresa, quando os resultados financeiros não são satisfatórios há, regra geral, duas consequências: os gestores colocam os seus lugares à disposição ou os accionistas convidam novos timoneiros. Sem mais.Numa equipa de futebol, quando as vitórias não surgem ao treinador resta pouco tempo de “vida” profissional. A muito breve trecho será afastado pela direcção ou, o próprio, abandona de mote próprio o respectivo lugar.
Nas companhias modernas, altamente competitivas e com sistemas internos de avaliação muito exigentes (mas naturalmente compensatórios), os colaboradores que não atingem patamares mínimos de compromisso são convidados a sair e a procurar vida nova noutro local.
Enfim, os exemplos podem suceder-se e são infindáveis nos mais diversos sectores de actividade, tendo sempre presente que a competitividade, a excelência e o brio são os objectivos máximos a atingir.
Até aqui alguma novidade? Algum espanto? Não, sinceramente, julgo serem os critérios adequados para uma convivência saudável, séria e justa. E só assim se conseguem atingir os melhores resultados!
Ora, a primeira pergunta é: por que motivo na política estes padrões de qualidade e de exigência se não conseguem impor? Ou seja, por que razão nas ressacas eleitorais todos, ridiculamente, invocam a vitória para assim justificar a respectiva existência e manutenção de “status quo”?..
É absurdo que quem não consegue durante ciclos sucessivos alcançar resultados positivos se mantenha a dirigir organizações, como se as derrotas fossem pormenores sem relevância e que outras alternativas não existissem.
Por estas e por outras a vida política e a participação partidária são cada vez menos apelativas, porquanto as regras parecem – sem razão aparente! – mudar relativamente ao que se passa nas empresas, nos bancos das universidades ou na vida em geral.
Mas, mais perverso ainda, é observar o que alguns conseguem fazer: transformar as vitórias dos outros nas suas e as suas derrotas nas responsabilidades de outros.
Por exemplo, arrogar-se como sendo sua a vitória de um candidato a uma câmara para a qual em nada se contribuiu (ou até quem sabe se destruiu…) é de uma desfaçatez tremenda. Tão grave quanto limpar-se a água do capote numa derrota de um candidato que foi exclusivamente imposto por si!
Mas, claro, tudo isto é uma questão de coerência!..