quinta-feira, 24 de março de 2011

CRÓNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA!..



Há muito que se sabia que o governo de José Sócrates tinha os dias contados. A começar pelo próprio, que – apesar da inesgotável energia – foi permitindo erros sucessivos de coordenação interna, jamais admissíveis no cenário da maioria parlamentar do primeiro mandato.

O governo há meses que não governava, vegetava, sob o comando do Ministro das Finanças que vai doseando “morfina”para atenuar dores sociais e económicas crescentes.

José Sócrates fez bem ao demitir-se. Cumpriu com o anunciado, honrou os compromissos europeus e ajudou a evitar que caíssemos num pântano de hipocrisia política com um preço social ainda mais elevado.

Quando as coisas não estão bem, então nada melhor que a oportunidade para clarificar. Ora, esta crise política, que não a social e a económica (bem mais sérias e profundas) deve ser entendida como uma oportunidade suprema para diversos tipos de esclarecimentos.

Desde logo, dentro dos partidos. Perceber se as actuais lideranças são as que vão a jogo. Mais, e indo, vão com que trunfos? Que equipas e programas, designadamente medidas na área orçamental, económica e social? Assim será mais fácil aos cidadãos perceber com o que contam.

Por outro lado, seria muito relevante que todos pudessem dizer o que pensam sobre políticas de coligações (pré e pós eleitorais). Afinal de contas, é sabido que um governo minoritário não tem a mesma amplitude e estabilidade de um maioritário, porém as coligações implicam cedências e negociações que, nesta fase do campeonato, devem ficar claras aos olhos de todos.

Finalmente, a gravidade da situação deveria impor um arco de governação amplo, ou seja, uma coligação abrangente, evitando jogadas políticas de baixo nível. Para isso seria necessário que os protagonistas tivessem perfis adequados ao entendimento. Se assim não for...

sexta-feira, 18 de março de 2011

A ÁRVORE DAS PATACAS...



A Suécia é um dos países do Mundo com maior com maior nível de exportações face ao respectivo Produto Interno Bruto. Aproximadamente metade do que é localmente produzido acaba sendo encaminhado para mercados externos. É, pois, compreensível e natural a notoriedade global de marcas como a Volvo, a Ericsson e Ikea, entre outras.

O modelo de desenvolvimento sueco é há muito comentado pelos positivos resultados económicos e sociais obtidos. Assenta sobretudo na elevada qualificação dos cidadãos, na aposta permanente em inovação, na internacionalização das empresas, das pessoas e das instituições e num Estado-Social que promove o bem-estar colectivo.

Ora, é este país que esta semana decidiu abrir no Brasil uma delegação da respectiva agência de comércio externo, ou seja, uma plataforma de aprofundamento comercial e empresarial entre os dois países. A motivação é simples: esta é a hora do Brasil.

Pela mesma razão – mutatis mutandis – chega hoje Barack Obama a “terras de Vera Cruz”. Traz a família toda como sinal de simpatia por um povo com quem as relações foram tensas nos últimos anos.

Mas como “quem não tem cão caça com gato”, os EUA – mergulhados ainda numa crise económica e social – compreenderam que a pujança do mercado brasileiro pode ser um catalizador para a recuperação nacional. Falar-se-á muito de diplomacia – com certeza! – mas o que vem na mala são obviamente números. Muitos números para ajudar a sair do buraco a ainda maior economia do Mundo.

Enfim, o Brasil é encarado, hoje, como uma espécie de “árvore das patacas” para muitos países que começam a descobri-lo. Mais de 500 anos depois dos portugueses!..

Pena é que com uma língua comum, uma história partilhada e afinidades culturais evidentes, Portugal não esteja a aproveitar como deveria a relação estratégica com o Brasil e o momento de ouro que este país está a viver. Sobretudo quando, em Lisboa, o estado actual é comatoso!..

segunda-feira, 14 de março de 2011

Afinal a Democracia Digital existe mesmo!!



Depois de sábado, em Portugal, em Espanha é assim...

Este blogue tem-se dedicado ao tema da democracia digital nos últimos quase dois anos. Poucos foram prestando atenção a um movimento inelutável que se estava a construir à margem dos partidos políticos e das formas clássicas de organização cívica.

Agora, nem tudo é perfeito e os riscos de extremismos são inúmeros, porém é uma realidade que importa encarar, respeitar e compreender. Antes que seja tarde demais!..

sexta-feira, 11 de março de 2011

NÃO HÁ ALMOÇOS GRÁTIS!..



Tem sido muito interessante observar o que se está a produzir em torno da manifestação da “Geração à Rasca”, amanhã, sábado. Há para todos os gostos: uns a favor, outros contra, uns genuinamente envolvidos outros “à pendura”...

Para já um dado relevante: pela primeira vez uma manifestação cívica, que poderá ter impacto significativo, começou (repito, iniciou) de forma espontânea nas redes sociais e vai passar do mundo virtual ao real. Este é por si só um elemento digno de registo. A dita democracia digital existe mesmo!

Acontece, todavia, que – como em tantos outros domínios da vida – há sempre uns que se montam no trabalho, na criatividade e nas expectativas dos outros... Este caso não foge à regra.

Por muito que alguns partidos políticos, da esquerda à direita, se desdobrem em declarações solenes de não interferência na dita manifestação (inicialmente) espontânea, ora a verdade é que já todos percebemos que há mobilização e empenhamento com contornos partidários profissionais. Não que isso seja mau ou condenável, não! É um facto, pronto.

Mas, sobretudo, o que a mim me interessaria ouvir – o que ainda não sucedeu – era perceber não as razões para o protesto (que conheço e compreendo algumas) mas as soluções propostas e o rumo a seguir. Sobre isso nada foi dito!

Afinal, amanhã, poderemos assistir a um de dois cenários: o contabilístico, em que o que fica são os números que desfilaram na avenida (os da PSP versus os dos organizadores com o olho dos jornalistas à mistura) e isso repreentará muito pouco ou, além disso, os organizadores (supostamente) em nome de uma geração apresentam ao país um compromisso de ideias que visem, na actual circunstância, mais trabalho e mais direitos sociais, mas também mais produtividade e mais mais competitividade.

Veremos, pois, o que sucede. Se for apenas mais uma manifestação como tantas outras servirá muito pouco ao país e menos ainda a esta geração, que também é minha!

* Foto retirada do site spectrum.weblog.com.pt

sábado, 5 de março de 2011

É TUDO UMA QUESTÃO DE SUPOSIÇÕES...



Estamos a viver tempos tão conturbados que se colocam em causa muitas das (supostas) lições recolhidas nos bancos das faculdades, designadamente sobre princípios e políticas fiscais.

É suposto, (repito) suposto, as taxas e algumas outras contribuições fiscais arrecadadas pelos governos destinarem-se – supostamente – sempre ao bem comum. Ou seja, para investimentos e despesas com serviços públicos: a saúde, a educação, a justiça e a segurança, por exemplo.

Significa isto que existe uma (suposta) vinculação entre as receitas tributárias e determinados fins, serviços ou obras públicas. Ora, aqui “a porca torce o rabo” pois onde anda há muito esta (suposta) garantia de contrapartida?..É ostensiva a degradação dos nossos serviços públicos tão mais perversa quanto somos dos países europeus com mais agressivas políticas fiscais.

Convém, nesta hora, recordar um clássico – o que é já de si um clássico: Adam Smith defendia que a (supostamente) “boa tributação” deveria ser “justa, simples e neutral”. O que queria ele dizer com isto?

Vamos por partes: um sistema fiscal é (supostamente) justo quando todos, do mais carenciado ao mais abastado, contribuem proporcionalmente aos seus (supostos) rendimentos. A verdade é que é que, em Portugal, se presumem como ricos muitos que o não são, os que o são não pagam e os que precisam de facto não recebem.

Por outro lado, a dita neutralidade significaria que o sistema tributário não deve (supostamente) influenciar a evolução natural da economia, a competitividade, o comportamento dos empresários e dos consumidores. A verdade é que influencia e muito.

Agravamento fiscal é sinónimo de recessão, de regressão no investimento/consumo e de depressão nacional! E, neste caso, não é supostamente!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

GERAÇÃO "C"...




A revista americana “Time” destaca como tema semanal a geração juvenil que está no centro das mudanças democráticas em curso no Médio Oriente e Norte de África. Caracteriza, aliás, metaforicamente o momento como de “Youthquake”: na verdade, o que se está a passar é absolutamente disruptivo, sobretudo porque assente numa geração com pouco ou nenhum envolvimento político, mas imensa capacidade de intervenção e mobilização cívica, assente no uso das tecnologias da informação.

Estes jovens começam a ficar conhecidos como a “Geração C”. “C” dos que estão sempre conectados, comunicando por computador, centrados em conteúdos, clicando numa comunidade. Estes são os “cês” desta nova geração que vai marcar o futuro, sobretudo o político e social.

Estamos a referir-nos a jovens essencialmente urbanos e suburbanos, não politizados, altamente consumidores e que até 2020 serão 40% da população nos Estados Unidos, na Europa e nos BRIC. Um exército poderoso, portanto!

Quem ainda não percebeu isto não compreendeu nada. Quem já entendeu e não reage, então...

Estes são os mesmo jovens que, uma vez mais via Facebook e influenciados pelo que está acontecer lá fora, decidiram convocar uma manifestação para a Avenida da Liberdade, para o início de Março, reclamando um conjunto de direitos sociais que lhes vêm sendo retirados. No FB já são umas dezenas de milhar!

Ao contrário do passado, hoje, não pode dizer-se nunca que os fenómenos não se repetem. A força mobilizadora das novas redes sociais é mesmo global. E, atenção, as causas não faltam!..

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

UM PAÍS NOVO!



Tenho o privilégio imenso de trabalhar numa das maiores empresas do Mundo, que contribui decisivamente para a inovação global e para melhorar o nosso país.
Há muitos exemplos de compromisso da Microsoft com uma cidadania activa. Destaco um: neste tempo de crise na educação, a Microsoft Portugal – num projecto inovador a nível mundial - decidiu apostar na formação dos Directores das Escolas, sujeitos-nucleares no âmbiente educativo.

Os professores não foram preparados para ser gestores, mas devem sê-lo, para tanto precisam adquirir novas competências, aptidões de liderança e novas práticas de gestão, onde as tecnologias podem fazer toda a diferença. Assim sendo uns milhares de professores vão adquirir novos “skills”, numa parceria em que o Ministério da Educação tira manifesta vantagem. Outros façam o mesmo!..

Fala-se muito – e há demasiado tempo! – da relação da escola com o mundo empresarial, pois bem este é um exemplo concreto de como as melhores práticas de gestão podem ser adaptadas ao quotidiano educativo, de como os protagonistas das empresas podem ser inspiradores de quem gere comunidades educativas. Uma escola moderna é também uma empresa.

Exigência, compromisso, avaliação, reconhecimento e mérito são conceitos muito caros e diariamente presentes na Microsoft, pelo que transpostos para a escola portuguesa ajudarão a fazer desta um espaço melhor e mais qualificado.

Um Portugal melhor precisa de mais exemplos destes. Já imaginaram se levássemos a vários domínios da administração pública, da saúde, da justiça programas orientados por aqueles princípios? Seria um país novo!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

DEMOCRACIA VIRTUAL (II)



Obviamente, não são necessários 230 deputados para garantir as competências constitucionalmente previstas. Nem advogar que 180 são mais do que suficientes significa qualquer deriva anti-parlamentar.

O parlamento português ainda é demasiado opaco e ineficiente. Reduzir o número de deputados não é a panaceia para todos os males, mas pode ajudar a atingir outros níveis de produtividade e de reconhecimento externo.

Importa pois dar condições efectivas aos parlamentares para efectuarem trabalho político de maior proximidade nos respectivos círculos: espaços adequados e assessorias. Estes recursos seriam atribuídos na razão directa de um maior escrutínio público da actividade que desempenham. Uma vez em incumprimento com o compromisso eleitoral, além da penalização óbvia nas urnas, deveria garantir-se a perda imediata de algumas regalias.

Acresce, que os parlamentares deveriam ter outro nível de suporte técnico na produção legislativa e demais tarefas. Se muitos deles não estão minimamente preparados, pior ainda quando não têm de facto quem os apoie. Também as regras deveriam mudar: mais competência técnica, mais transparência nas contratações e mais recursos obviamente disponíveis.

Nos dias que correm, ter deputados info-excluídos – e são muitos!! – é mais ou menos o mesmo que analfabetos na Primeira República. Ora se é inadmissível que não usem das tecnologias da infornação e do conhecimento para comunicar, buscar inspiração, receber “feedback”...mais ainda se torna quando o próprio parlamento não tem uma estratégia assumida nesta área. Ainda pensam que ter um site da AR é suficiente para se dizerem na era da internet. Nada mais errado!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

DEMOCRACIA VIRTUAL (I)



O país mudou!

Cada cidadão passou a ter a oportunidade de eleger individualmente os candidatos a deputados que, na sua apreciação, melhor perfil cívico, político e profissional têm para o desempenho de funções legislativas. Vota-se em nomes, não em listas!

Os cidadãos-eleitores participam, aliás, em dois momentos fulcrais: primeiro, na escolha interna mas aberta dos pré-candidatos no partido com o qual mais se identificam; segundo, na eleição propriamente dita, através de círculos uninominais.

Os que desejam apresentar-se como candidatos têm, no mínimo, de - além de currículo capaz – expor uma visão para o mandato, uma declaração formal de incompatibilidades, uma lista com o património actualizada e a descrição de compromissos concretos que se propõem executar no mandato.

Acresce, que anualmente existem convenções locais onde os deputados apresentam obrigatoriamente o plano das acções executadas e ainda a executar.

Esta “contabilidade cívica” é essencial para aferir do grau de compromisso e de eficência dos deputados perante quem os elegeu. Existem rostos concretos a quem pedir responsabilidades!

Para tanto, os partidos abriram-se de facto. Os “Estados Gerais” ou as “Novas Fronteiras” não são epifenómenos, mas co-existem em permanência com os órgãos próprios dos partidos. Os cidadãos em geral são chamados em regime de permanência; e, por sua vez, os militantes tem algumas prerrogativas próprias desse facto.

Na semana em que a reforma do parlamento entrou, novamente, na ordem do dia, o cenário acima é – infelizmente – meramente virtual. Por aqui se afere a qualidade da nossa democracia...

(continua...)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

EU VOTO



A cada acto eleitoral existe sempre um ou outro episódio isolado de boicote. Pelas mais diversas razões – saneamento, maternidade, transportes,... – com certeza atendíveis, todavia nunca compreendi o alcance efectivo da coisa. Sim, quais as vantagens ou ganhos decorrentes do acto?

Tirando alguma mediatização no próprio dia, imediatamente a causa da coisa é esquecida e a democracia ali interrompida por instantes segue o seu curso.

Ora, no “caso Metro Mondego” a regra confirmar-se-á. O boicote a verificar-se não trará às populações os carris nem tão pouco, neste caso, penalizará os que são de facto responsáveis pela lamentável situação.

Não consigo compreender como gente (supostamente) esclarecida e responsável, muitos deles eleitos e outros tantos já beneficiários da democracia noutras ocasiões, podem demagogicamente apelar a instintos tão primários quanto boicotar eleições.

Boicotar não significa apenas que os descontentes não irão votar – isso seria compreensível e respeitável, pois cada um faz o que lhe apetece com o SEU voto – tal acto implicará a impossibilidade imposta a muitos de não poderem exercer um direito cívico. Ora é isso que incomoda e revolta.

A conquista do direito fundamental a votar – eleger e ser eleito – é expressão da liberdade. Portugal conviveu demasiado tempo sem isso e nao passou assim tanto tempo para o esquecermos. Não há motivo algum que justifique a impossibilidade de nos podermos expressar e os votos servem precisamente para premiarmos e penalizarmos quem bem entendermos.

Eu não prescindirei de expressar o que penso através do voto. Essa é a linguagem democrática. Tudo o mais é expressão de uma ignorância que serve apenas a agenda de alguns...

sábado, 9 de outubro de 2010

DEMOCRACIA DIGITAL



No Brasil, 136 milhões de eleitores acabam de expressar a respectiva vontade cívica em eleições para a Presidência da República, Senado, Congresso, Governos e Parlamentos estaduais. Tudo feito através do voto electrónico. Algo complexo, diga-se, pois há que decorar chaves de candidatos identificados por números. Mas a coisa vai!..

Num país com aquela dimensão e dispersão geográficas - à parte uma certa suspeição política permanente – a verdade é que ao fim de poucas horas o escrutínio está feito, os resultados são publicados e aceites sem que se conheçam impugnações ou desconfianças face à natureza electrónica do voto. Um caso muito interessante.

Em Portugal, assim como noutros países europeus, ainda se receia pela transparência, confidencialidade e segurança deste modelo eleitoral. Confesso, que, depois de tantos pilotos realizados, não compreendo o cepticismo, sobretudo num país como o nosso.

O cartão do cidadão, projecto notável e pioneiro, detém mecanismos que garantem a segurança e confidencialidade dos dados que encerra. Esse dispositivo está, hoje, profusamente distribuído e pouco faltará para cada um ter o seu. Ora, essa chave electrónica é a porta de acesso a uma parafernália de utilizações que melhorarão a vida dos cidadãos e da sua relação com a administração, inclusive no exercício do voto.

Ser um mero repositório de informação (BI, Cartão de eleitor, NIF,...) é muito pouco para as potencialidades de uma ferramenta digital como o cartão do cidadão. Importa pois aprofundar nos usos e nas soluções que representa enquanto avanço cívico e democrático.

Tornar o Estado mais aberto e transparente, reduzir a burocracia pela desmaterizalização, promover a acessibilidade à informação pública, tornar a participação cívica mais activa e impactante são, com certeza, desideratos que promovem melhor democracia e mais legitimidade, pelo que as tecnologias da informação são ferramentas indispensáveis para os atingir. Alguém duvida?

DEMOCRACIA DIGITAL



Somos por natureza deprimidos, mas a forma como nos é apresentado o contexto actual, designadamente pelos media, aprofunda esse desânimo. Ora, na semana que termina, houve boas razões para mais optimismo e energia redobrada.

Foi apresentada a nova Agenda Digital 2015 para Portugal. Mais do que um programa de políticas é um desígnio e um compromisso com a inovação e a modernidade. De tal modo, que outros, sobretudo em Bruxelas, esperam com atenção pelo respectivo desenvolvimento para se inspirarem em medidas que concretizem a Agenda Europeia 20:20.

Podemos ter Orçamentos restritivos, o FMI ou o Berlaymont a entrar-nos porta-dentro, mas o que é verdadeiramente estratégico são apostas concretas em mais conhecimento, tecnologia e inovação, que alimentem um ciclo virtuoso de mais competências nas pessoas, mais internacionalização da economia e uma balança tecnológica positiva.

Esse é o caminho. Não há outro!

Um estudo da BCG, “The Economic and Social Impact of Next Generation High Speed Broadband”, revela que este programa de investimento previsto para a criação de uma rede de banda larga de nova geração de acesso universal poderá provocar um crescimento anual de 3000 milhões de Euros (1,8% do PIB) considerando o impacto directo e o efeito multiplicador noutros sectores, “criando 15 a 20 000 empregos qualificados e reduzindo 1,4 milhões de toneladas de emissões de CO2”.
Impressionante!

A Agenda Digital tem mais quatro eixos estruturantes (a que voltaremos): Melhor Governação, Educação de Excelência, Saúde de Proximidade e Mobilidade Inteligente. Convictamente, a Agenda Digital 2015 é o denominador comum do país – não conheço outro - deve pois ser aproveitado.

Publicado no Jornal OJE

DEMOCRACIA DIGITAL



O governo anunciou ao país, esta semana, um orçamento altamente restritivo e com medidas muito duras para fazer face à situação crítica em que nos encontramos. Enaltece-se a coragem.

Em Portugal, somos mestres em “lançar a primeira pedra” e nos anúncios com toda a pompa e circunstância. Já somos débeis na execução e no cumprimento das metas. Ora, o pacote de medidas de contenção da despesa pública e de relançamento da confiança externa no nosso sistema económico e financeiro é um bom ponto de partida para acrescentar uma outra iniciativa interessante às muitas práticas de “e-government” já tomadas.

À semelhança do que fez no passado ano o Presidente Obama (cfr. www.recovery.gov), aquando dos primeiros pacotes de estímulo, bem andaria o governo português se lançasse na internet um portal que reflectisse quase “on time” o evoluir e a execução das medidas políticas agora anunciadas.

Dito de outro modo, o escrutínio público é um dever e um direito cívico e por isso mesmo a transparência nos dados da administração permitem uma maior “accountability”. Sinal de maturidade e de desenvolvimento. Gostaríamos, decerto, todos de saber às quantas andamos para aferir se vale realmente a pena o esforço colectivo.

Um portal como o acima mencionado, cuja visita se aconselha, permitiria percebermos o ritmo das receitas fiscais; a flutuação da dívida externa; o grau de poupança no sector público e empresarial do Estado; os níveis de investimento público; o “rating” nacional; o comportamento dos mercados externos, etc etc.

Hoje em dia, o governo tem todos estes dados na sua posse seria um sinal de modernidade e maturidade democrática torná-los públicos para que todos nos sentíssemos parte da solução e externamente se observassem os indicadores. Além do mais, para um país que está muito bem referenciado no “governo electrónico” seria um passo natural!

Publicado no Jornal OJE

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

IR ALÉM DO ÓBVIO!



Por este andar a nossa candidatura à organização do Mundial de Futebol de 2018 será a garantia para termos assegurada a participação na fase final sem preocupações de maior. Fica tudo administrativamente tratado...

Falando sério: hoje, grande parte do país já está convencido da bondade e da importância desta candidatura. Recordo bem quando há dois anos se falou pela primeira vez nesse desiderato (pela boca de Hermínio Loureiro, então presidente da Liga) as diversas reacções então produzidas foram maioritariamente críticas, vindas de muitos que agora se preparam para ficar na fotografia da aclamação...

Tenho algumas premissas das quais parto e que, confesso, só abdico quando comprovadamente erradas: a) qualquer projecto ibérico é bom para Portugal; b) qualquer evento ou compromisso com impacto internacional efectivo é positivo para Portugal; c) qualquer manifestação que mobilize a energia nacional e promova a nossa auto-estima é desejável. Passo, então a explicar.

Portugal precisa de mais iberismo. Precisamos de nos integrar crescentemente como parte desta região europeia como forma de ganharmos mercados e competências. Ora, uma candidatura conjunta com a Espanha é algo que só nos dignifica e da qual retiraremos decerto vantagens.

Tanto mais, que não teremos que fazer esforços financeiros extraordinários, pois as estruturas do Porto e de Lisboa estão aptas a receber grandes eventos. Deveremos é começar já a garantir que as outras cidades possam acolher os estágios e os jogos de preparação das diversas selecções apuradas para, assim, se maximizarem todas as estruturas criadas para o Euro 2004.

Aparecermos ao lado de um campeão do Mundo e da Europa só nos enobrece, seja no futebol, no andebol ou no xadrez. Um campeão é um campeão. Deixemo-nos pois influenciar e perceber porquê...

Por outro lado, Espanha é um dos países do mundo com a mais elevada taxa de turistas, pelo que poderemos aproveitar desse facto e acolher cá dentro muitos dos que visitarão “nuestros hermanos”. Além de que, claro, são muitos os estudos que demonstram a notoriedade e a visibilidade internacional que momentos como estes dão ao país...o equivalente a muitos anos de má diplomacia económica...

Finalmente, o nosso fado não é sermos sempre os terceiros ou os últimos de qualquer coisa. Não temos escrito no ADN colectivo: perdedores. Não! O povo português precisa mais que outros de viver momentos que projectem a sua grandeza e promovam a respectiva auto-estima. Somos assim. Não é defeito, apenas feitio. Recordamos bem – e com saudade! – como o Europeu de 2004 serviu para recuperar valores pátrios tão importantes e tão simples como o orgulho na bandeira. Isto tem um valor social e cultural significativos, mas também económico. Isto é ir além do óbvio...

Provem-me o contrário!

DEMOCRACIA DIGITAL



A propósito dos tumultos em Moçambique escutava, esta manhã, uma jornalista improvisada a referir que as manifestações populares tinham sido convocadas por sms, fugindo em grande medida ao controlo da segurança do estado, e que, à cautela, o governo teria condicionado os serviços e acessos à internet.

Ora, não sendo estes factos uma novidade, confirmam a tendência inexorável – já antes sentida no Irão por exemplo – para ver na internet e nas novas tecnologias canais e instrumentos privilegiados para fazer eco do descontentamento popular, organizar greves e manifestações e promover rebeliões.

Em Maputo ou em Teerão vale de pouco cortar o acesso à rede. Existem, nos dias de hoje, múltiplas alternativas. Não vale a pena ir contra uma corrente que é avassaladora.

É curioso observar que, sendo Moçambique um dos países mais pobres do mundo e tendo dos mais elevados “gap” digitais, a população faça uso das TIC para se mobilizar e exercer direitos. Esta questão conduz-nos ao facto de que a Internet aproxima e não segrega; ajuda a reduzir assimetrias e intensifica a vigilância cívica. Isto são vantagens evidentes.

Não por acaso as grandes operadoras mundiais de telecomunicações e os gigantes da informática olham para África com muita atenção pelo potencial de consumo que representa.

Para os governos, de África como da Europa, a atitude mais avisada não será o controlo férreo sobre a rede – opção contra-natura - mas, antes, utilizar as virtualidades da rede para aprofundar o relacionamento entre o Estado e os Cidadãos e entre estes. Para o efeito, e tão importante quanto medidas de desmaterizaliação e modernização administrativa pela via digital, é o incremento das novas tecnologias no sistema educativo.

Em suma, a palavra-chave para gerir estas tendências é EDUCAÇÃO e não repressão!

Publicado no JORNAL OJE